Quanto custa um pneu retirado de uso antes de cumprir todo o seu potencial? A resposta vai além do valor da reposição.
O desgaste irregular, pressão inadequada, perda da possibilidade de recapagem e falhas em rota fazem com que o impacto gerado afete também o combustível, a manutenção e a disponibilidade da frota.
Esse valor é relevante a ponto de a própria metodologia da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) considerar pneus e recauchutagem como um dos componentes dos custos variáveis do transporte rodoviário de cargas, ao lado de combustível, ARLA, manutenção e lubrificantes.
O desafio da gestão de pneus é justamente transformar essas ocorrências dispersas em informações capazes de orientar a manutenção.
Ao longo deste artigo, você entenderá onde as principais perdas acontecem, quais controles ajudam a evitá-las e como dados e tecnologia tornam essas decisões mais consistentes.
O que é gestão de pneus?
A gestão de pneus é a atividade de controlar e monitorar cada um desses itens desde a sua entrada até a necessidade de reforma, substituição ou descarte legal.
Logo, envolve atividades como calibragem, controle de sulcos, rodízio, alinhamento, recapagem e acompanhamento da quilometragem.
Porém, executar essas tarefas isoladamente não significa necessariamente que a empresa possui uma gestão estruturada.
O diferencial está em registrar o histórico de cada unidade e relacioná-lo ao veículo, posição, quilometragem, intervenções realizadas e motivo da retirada.
Assim, a empresa consegue entender não apenas quando trocar um pneu, mas porque sua vida útil terminou e quanto aquele ciclo realmente custou.
Quais são os principais desafios das frotas na gestão de pneus?
Um dos fatores de maior importância para o controle de frotas é que boa parte das perdas ocorre gradualmente.
Com a falta de histórico e indicadores adequados, elas podem ser incorporadas ao custo operacional sem estarem completamente identificadas.
Calibragem fora do padrão
A pressão inadequada aumenta o desgaste e pode elevar a resistência ao rolamento.
O SmartWay, programa da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos voltado à eficiência do transporte de cargas, aponta que pneus de caminhões com pressão 10 psi abaixo da recomendada podem reduzir a eficiência de combustível entre 0,5% e 1%.
Por isso, calibragem não deve ser apenas uma ação corretiva e precisa ter um padrão, frequência de verificação e histórico por veículo ou pneu.
Desgaste irregular
O desalinhamento, problemas de suspensão e ausência de rodízio elevam a concentração de desgaste em determinadas áreas da banda de rodagem.
O resultado é um pneu retirado antes de utilizar todo o seu potencial, mesmo quando parte da banda continua a ter condições de uso.
Perda da carcaça e da recapagem
Retirar o pneu no momento errado também pode significar perder uma carcaça que ainda teria valor operacional.
Segundo o Inmetro, um pneu de carga pode ser reformado, em média, duas ou três vezes. Antes disso, cada carcaça precisa ser avaliada e considerada adequada ao processo.
Preservar a carcaça amplia o aproveitamento daquele ativo. Por isso, o controle de sulcos, histórico de uso e momento da retirada influenciam diretamente no custo por quilômetro.
Paradas não programadas
Uma falha em rota pode envolver socorro e segurança dos envolvidos, veículo indisponível, manutenção corretiva e impactos no planejamento da operação. A gestão precisa ter capacidade de identificar e reduzir essas ocorrências.
“Pneu não é despesa recorrente. É ativo com vida útil gerenciável.”
Marciel Berto, CEO da NRB Consulting, possui 27 anos de experiência em Gestão de Manutenção e Ativos.
Como estruturar uma gestão de pneus eficiente?
Uma gestão eficiente não começa necessariamente pela compra de tecnologia. Ela começa por critérios claros, rotina operacional e registros consistentes.
Na abordagem adotada pela NRB, quatro frentes formam a base desse controle.
1. Inspeção e calibragem
Defina periodicidade para verificar pressão e profundidade dos sulcos, registrando os dados por pneu e por posição no veículo.
O objetivo não é apenas identificar uma anomalia. O histórico permite perceber reincidências, padrões de desgaste e unidades que demandam atenção antes da falha.
2. Alinhamento, balanceamento e rodízio
Essas intervenções precisam seguir critérios definidos, como quilometragem, troca de pneus ou ocorrência de impactos relevantes.
O acompanhamento ajuda a distribuir o desgaste e a preservar a carcaça, evitando que o pneu seja retirado com parte do seu potencial ainda disponível.
3. Recapagem no momento adequado
A decisão de retirar um pneu deve considerar o limite de sulco e as condições da carcaça.
Antecipar ou atrasar excessivamente esse momento pode reduzir o aproveitamento do ativo. Registrar cada ciclo de reforma permite comparar desempenho e reduzir o custo de manutenção ao longo do tempo
4. Rastreabilidade de todo o ciclo
Cada pneu precisa ser individualmente identificado e associado a informações como veículo, posição, quilometragem, medições, intervenções e destino.
É essa rastreabilidade que transforma atividades de manutenção em conhecimento gerencial.

Quais indicadores ajudam a controlar os pneus da frota?
Ter indicadores traz uma visibilidade melhor para avaliar o andamento da gestão em relação a dados isolados.
- CPK (Custo por Quilômetro): relaciona os gastos com pneus à distância percorrida e permite acompanhar a eficiência econômica;
- Vida útil média: mostra quantos quilômetros cada pneu percorre antes de sua retirada;
- Aderência à calibragem: indica o percentual de pneus operando dentro da pressão definida;
- Índice de recapagem: acompanha quantos ciclos de reforma são obtidos por carcaça;
- Falhas em rota: mede ocorrências associadas aos pneus em determinada quilometragem;
- Disponibilidade da frota: acompanha quantas horas de operação são perdidas por problemas relacionados aos pneus.
A NRB, por exemplo, entende esses indicadores dentro de uma lógica de meta, frequência de acompanhamento e responsável definido, conectando manutenção, operação e gestão.
“Sem rastreabilidade não há indicador confiável, e sem indicador não há decisão de compra defensável.”
Marciel Berto, CEO da NRB Consulting
Quando um software de gestão de pneus passa a fazer diferença?
O Octave Attune EAM foi desenvolvido para administrar ativos ao longo de todo o ciclo de vida. Para frotas, a própria marca destaca recursos como histórico de manutenção, gestão de ordens de serviço, inventário e mobilidade para registros e inspeções em campo.
Na aplicação de gestão de pneus utilizada pela NRB, essa lógica permite reunir informações como:
- qual pneu está instalado em cada veículo e posição;
- histórico de movimentações e eventos;
- medições de pressão e desgaste da banda;
- quilometragem e registros de inspeção;
- ordens de serviço associadas;
- condição e destino do pneu ao longo do ciclo.

O que muda na rotina do gestor?
Sem esse tipo de integração, o gestor pode precisar consultar uma planilha para descobrir a última inspeção, outra fonte para verificar uma manutenção e registros separados para analisar a carcaça.
Com os dados centralizados, ele passa a conseguir responder perguntas operacionais com mais rapidez:
- Este pneu está desgastando antes dos demais?
- Em quais posições isso ocorre?
- Quantas vezes essa carcaça já foi reformada?
- Qual é o histórico de pressão e sulco?
- Quais pneus concentram falhas?
- O CPK está melhorando ou piorando?
- A troca é necessária ou existe outra intervenção indicada?
Com isso, a tecnologia deixa de ser apenas um cadastro de pneus e passa a sustentar decisões efetivas de manutenção.
A Octave também oferece acesso móvel para atualização dos dados dos ativos e realização de inspeções em campo. Logo, reduz a distância entre quem coleta a informação no pátio e quem precisa analisá-la para tomar uma decisão.
A NRB implementa o Octave Attune EAM dentro de uma estratégia mais ampla de gestão de ativos, estruturando processos e informações para que a tecnologia reflita a rotina verdadeira da operação.
Gestão de pneus começa pelo controle e evolui com os dados
Uma troca prematura pode parecer um evento isolado. Quando isso ocorre repetidamente, entretanto, passa a representar um problema de gestão.
Controlar o ciclo completo ajuda a identificar por que os pneus estão sendo substituídos, quanto estão custando e onde existem oportunidades de melhoria.
É essa visão que transforma a gestão de pneus em parte da estratégia de manutenção e gestão de ativos da frota.
Quer avaliar como a gestão de ativos melhora o controle sobre sua frota?
Converse com os especialistas da NRB
Perguntas frequentes sobre gestão de pneus
O que é gestão de pneus?
É o controle do ciclo de vida dos pneus, incluindo utilização, calibragem, desgaste, movimentações, reformas, custos, substituição e descarte.
Qual software posso usar para gerir pneus?
A escolha depende do tamanho e da complexidade da operação. Frotas maiores podem exigir soluções que integrem histórico, manutenção, indicadores e gestão de ativos.
O que é RFID em pneus?
RFID é uma tecnologia de identificação por radiofrequência. Ela pode facilitar a identificação individual do pneu e automatizar parte da coleta e rastreabilidade das informações.
Como calcular o CPK dos pneus?
O CPK relaciona o custo total associado aos pneus à quilometragem percorrida. Ele ajuda a comparar desempenho e acompanhar a evolução dos custos.

